quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Sean Goldman: um acordo econômico, um jogo de barganha política


É surpreendente se dar conta do quanto os assuntos em nossa sociedade estão interligados. Um exemplo disso é o caso do menino Sean . Um caso inicialmente de cunho jurídico, que envolvia questões de direitos humanos, tomou uma repercução gigantesca nos meios de comunicação em massa e ao que tudo indica chegou-se a uma conclusão hoje, mas envolveu muito mais do que jurisdições dos Estados Unidos e do Brasil. Na verdade tomou proporções econômicas, políticas e diplomáticas, das quais o Brasil saiu como o melhor beneficiado na história por poder lucrar em torno de 3 bilhões de dólares anualmente.
Sean Goldman é um garoto de 9 anos que nasceu nos Estados Unidos, filho de mãe brasileira e de pai americano e que há 5 anos mora no Brasil com os avós maternos, devido a separação de seus pais e a volta de sua mãe ao país de origem e sua consequente morte ao dar a luz a sua segunda filha fruto de um segundo relacionamento. O pai de sean, David Goldman vêem atualmente lutando pela guarda do filho (que até ontem pertencia ao padrasto de Sean) e pelo retorno do menino aos Estados Unidos. Esse processo desencadeou várias crises nas relações entre os dois países e terminou com um evidente acordo econômico, pois assim que o STF decidiu que Sean deveria ser entregue ao consulado americano, suspendendo, assim, a liminar concedida a avó materna, nos Estados Unidos o senador do estado de Nova Jersey (estado do pai de Sean) liberava um projeto de lei que concedia benefícios tarifarios a 130 países dos quais o mais privilegiado é o Brasil. Uma clara situação de "toma lá, dá cá".
Infelizmente a justiça em todos os âmbitos possíveis é parcial há várias condições que não sejam de caráter apenas jurídico. Tudo bem que vivemos em um mundo globalizado, mas tudo tem limite e certas coisas necessitam ser tratadas separadamente, pois mudam o percurso de vida de certas pessoas para sempre e isso é absurdamente grave.

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